11/11/2014

Tati in Tahiti

Antes de mais, quero dar os parabéns à Body Glove. Miúdas como a Tatiana Weston-Webb - e as miúdas no geral têm o direito, a beleza, o talento e até os títulos (a Tati, por exemplo, foi duas vezes campeã mundial júnior da ISA) para fazer viagens destas e estar envolvidas em projectos destes. Certo, podem dizer que o vídeo não está nada de mais, as ondas são pequenas e nenhum dos surfistas é particularmente conhecido...mas será que isso importa? A resposta é não e é não porque é raro ver uma marca a apostar numa miúda, ainda mais raro ver uma marca apostar assim numa miúda e consegue consegue ser ainda mais raro ver uma marca apostar assim num projecto com uma miúda. Por isso, parabéns Body Glove e boa sorte para o próximo ano no Tour, Tati. Sim, porque em cima disto tudo está o facto da Tatiana ser uma óptima surfista. You go girl!

08/11/2014

Será que este vídeo explica de uma vez por toda a questão das rotações?

Trick instructions, for surfers. from pierre on Vimeo.

Eu, curto.

Mais uma prova de que o Julian é um tipo profundamente inseguro



E, ainda, sobre este vídeo... Impressionante como o Julian Wilson consegue fazer mais um vídeo em que 1) não é o que faz o melhor surf (Dusty Payne outra vez!!!! Tal como no Scratching The Surface!!! ); e 2) não acaba com uma onda sua. 

Das duas, uma: ou Julian é muito bonzinho e não consegue pensar sobre as coisas ou então tem um caso com o Dusty! I mean, eu sou muito amigo dos meus melhores amigos mas também não tenho de lhes salvar as carreiras...

05/11/2014

Impressões de Peniche (parte 2) e de um mês e meio cheios de surf

Depois de um mês e tal em contacto com o melhor do surf que há lá fora e cá dentro, é inevitável ter algumas coisas à apontar - tanto de boas como de más. Tinha pensado ir fazendo alguns apontamentos directamente dos vários eventos onde estive mas isso acabou por acontecer apenas uma vez, em Peniche. Podia pedir desculpa mas a "culpa" é do trabalho e não me posso - nem vou - queixar: tenho a sorte de trabalhar. Mas bom, deixemo-nos de coisas e vamos ao que interessa:

Algumas coisas a salientar sobre o último mês e picos

Sobre o SATA Airlines Azores Pro e o Cascais Billabong Pro, substituam ao famoso lema futebolístico "11 contra 11 e no fim ganha a Alemanha" os números e o paíse e têm a sua fórmula (e a de maior parte dos Primes): há sol e chuva, há ondas boas e más, os eventos queixam-se e adoram, mas no fim ganha um surfistas brasileiro (e no caso de Cascais, o mesmo brasileiro).

Não há nenhuma surfista no World Women's Tour da ASP como Stephanie Gilmore. Se em vídeo ou televisão a sua graça em cima da prancha é já inigualável, ao vivo, no Cascais Women's Pro, as pernas mais bonitas do circuito (como as descreve Júlio Adler) são ainda mais graciosas. Tratando-se a Bafureira de um pointbreak de direitas, Steph assumia-se como favorita...e Sally Fitzgibbons também, ou não tivesse já lá ganho vários eventos. Ambas só se cruzaram na final, a sorte sorriu a Steph e a já 5 vezes campeã mundial está cada vez mais próxima do merecido sexto título. Mas uma coisa é certa: ninguém surfou melhor em Portugal que Sally Fitzgibbons...e ela sabe isso. Triste, sentindo mais um título a escorregar-lhe entre os dedos, Fitzy abriu com raiva uma garrafa de champanhe para cima de Steph na entrega de prémios. Eu cá não sou de intrigas mas parece-me que as mais físicas rivalidades do mundo do surf se travam hoje em dia pelo circuito feminino.

Peniche é hoje, e desconfio cada vez mais, um evento de surf para além de uma competição de surf. Uma das provas disso é os brindes que o público busca incessantemente e que passo a enumerar: Panfletos, brochuras, crepes de sardinha e cavala, experiências virtuais, massagens, experiências das possibilidades da GoPro, sacos, fitas, vinho, cinzeiros, lenços, mochilas, almofadas, ponchos, pinturas corporais, bolachas, bonés e t-shirts costumizados, carregamento da bateria de telefones, pranchas insufláveis, cadernos de autógrafos, tatuagens temporárias, sangria, boleias, posters, sandes e tábuas de comida. Outra prova são as centenas de equipas media que por lá passaram. Centenas (e sim, estou a falar com conhecimento de causa). Mais uma prova, como se fosse preciso, são as acções do social que por lá vão acontecendo, sobretudo ao fim-de-semana. Cor-de-rosa. *Suspiro *

Sobre Gabriel Medina, deixo aqui algumas impressões que fui transmitindo a amigos: "é engraçado porque eu achei mesmo que ele ia conseguir o título em Peniche. Acho que ele próprio também o achou mas ele estava nervoso e cometeu o erro capital de o confessar na conferência de imprensa. Foi aí que as coisas começaram a correr mal. Ele, no fundo, teve a sorte de o Kelly também ter perdido. O Kelly jogou muito bem mas esqueceu-se de ganhar ao Artiz, tal como o Gabriel se esqueceu de ganhar ao Brett. Daí o Kelly ter partido a prancha: imagina teres acabado de driblar o guarda redes e depois chutares a bola para trás. Não sei, se calhar estou a romancear". "Coitado do miúdo. Claro que se estava confiante e claro que perdeu para o brett simpson (logo esse...). Todo o mundo fazendo dele campeão (até a Moche!), ele sentiu-se campeão!...e vacilou. Acontece. E a pressão era tremenda." "Não acho que haja qualquer tipo de dúvida no julgamento. A única dúvida que existe é por que razão o Gabs saiu da água tão cedo. Eu arrisco dizer que a insatisfação quanto à notas dadas pelos juízes foi a desculpa arranjada de cabeça quente. Acho que ele sentia enorme pressão e ali sentiu até um alívio. Ao fim do dia ele estava a a rir e a jogar ping pong no hotel."

A mãe do Gabriel, Simone, é muito simpática. Entre toda a entourage presente em Peniche, que era grande, ela é a mais aberta a conversar com estranhos como eu...e conversou. Falámos da derrota do Gabriel, da estrutura da ASP, das intenções da ASP, do feitio do Gabriel e da amizade que o seu filho tem com John John Florence: "são muito parecidos".

Se é escusado falar do quão notável foi o resultado do Vasco Ribeiro nos Allians World Junior Championships, convém falar dos outros dois portugueses em destaque: Tomás Fernandes e Miguel Blanco. Não considero (considerava?) que Tomás seja um dos três melhores surfistas sub21 do Mundo mas eis que chega o maior campeonato de miúdos à sua praia e ele se coloca nesse estatuto. Claro que conhece a onda, as suas manhas e secções, mas o surf que ele apresentou foi mesmo dos melhores do evento. Como várias vezes destaca o Seleccionador Nacional (e treinador do Tomás) David Raimundo, os surfistas portugueses muitas vezes perdem por ter um surf mais de linha enquanto os seus adversários têm um surf mais explosivo. Por uma vez foi bom ver a situação inverter-se...e Tomás foi a prova viva disso. Quanto ao Miguel, perder com um score de acima de 16 pontos não é para todos e não fosse o seu adversário também estar em dia sim, arrisco dizer que o cascalense também tinha ido longe. Boa Vasco, Tomás e Miguel!

Já que estamos na temática dos WJC, pergunto-me, ainda que de forma algo sensacionalista: estará o futuro do surf feminino em causa? Não para Portugal, que tem Teresa Bonvalot, mas para o resto do Mundo? A havaiana Mahina Maeda, que venceu a prova, é boa surfista, tal como as australianas Bronte Macaulay e Keeley Andrew. Mas...e o resto? Vou ser honesto, mesmo sendo Ribeira D'Ilhas uma onda com manhas, não fiquei nada impressionado com o que vi das melhores surfistas sub-21 do Mundo.

De muitas vezes entrevistar e conversar com o Francisco Spínola e a restante equipa da Ocean Events, posso dizer uma coisa com segurança: esta malta está empenhada em vender e mostrar o nosso país e as nossas ondas ao resto do Mundo. O país precisa de gente assim para fazer as coisas andar para a sempre. Sabendo que todos os eventos têm um prazo de validade (e que a ASP está cada vez mais americanizada...) espero que a dos nossos esteja longe. Sim, mesmo concordando que a quantidade de eventos deste ano gere algum cansaço do público e media. 

Por ter contacto de perto, posso dizer-vos: a ASP tem um fantástico penteado mas acho que devia começar a cuidar da sua barba (isto porque acho que a associação é um homem. É o método chinês do marketing). Tal como disse, contactei de perto com a Associação e os seus empregados e posso afirmar que são todos muito porreiros, bem-dispostos e têm um fantástico penteado, assim aparado dos lado e com uma popa em cima, sempre com um aspecto húmido. Gostam de o mostrar, cuidam dele a toda a hora, preocupam-se e há inúmeros tipos de funcionários que ajeitam cada aspecto dele: o corte, o penteado, a dimensão, o volume, o brilho. Já a barba, não está má. Está minimamente arranjada, há um ou outro funcionário mais ou menos preocupado com a sua manutenção, notam-se algumas zonas em que está mais curta e outras em que está comprida, não estando por isso uniforme. Dá para passar...mas é isso que a ASP quer?

Se me lembrar de mais, farei novo post. Stay tunned.